CA19.com.br

Carlos Alberto, ou Feijão, como ficou conhecido pelos amigos no F.C. Porto, nasceu para brilhar. Isso mesmo! Aquele menino que sonhava se tornar um jogador de futebol e começou nos campinhos de rua de Imbariê, no Rio de Janeiro, acabou fazendo sucesso, conquistando nada menos que quatro títulos pelo Porto, um dos principais clubes do mundo. Mas engana-se quem pensa que sua trajetória foi fácil.

Carlos Alberto nasceu no dia 11 de dezembro de 1984, na clínica Santa Maria, em Laranjeiras. Nesta época, sua família morava numa casa humilde na Vila São Luís, em Duque de Caxias. Desde pequeno, seu brinquedo preferido era a bola. Com apenas um ano, seu pai, Carlos Alberto, percebeu que seus chutes eram muito fortes para uma criança tão pequena. Aos nove, sua mãe, Fátima, preocupada com o filho que jogava peladas com os adultos nos campinhos de rua, levou Carlos Alberto para a escolinha do Grande Rio, atual Rio de Janeiro F.C. Era o início da caminhada.

"Dia triste para Carlos Alberto era quando ele fazia alguma coisa errada e eu o castigava deixando-o em casa, sem treinar. Ele e o Fernando (irmão) choravam me pedindo para que eu o liberasse. Não tinha jeito, né?! Eles acabavam me convencendo", diverte-se Fátima.

Quando menino, Carlos Alberto tinha dois sonhos: jogar por um grande clube e ser convocado para a Seleção Brasileira. Ele alcançou seus objetivos, mas com muito sacrifício, já que eles tiveram de ser adiados duas vezes. Em 1997, apareceu sua primeira chance de jogar por um time de ponta: o Fluminense. No entanto, como as inscrições para o Campeonato Carioca estavam fechadas, ele não pôde ser inscrito na competição pelo Tricolor e teria de ficar apenas treinando. Então, como tinha fome de bola, Carlos Alberto preferiu voltar ao Grande Rio, onde poderia atuar e ficou por mais dois anos, até ser novamente chamado pelo Tricolor, com seu irmão Fernando, que atualmente é volante dos juniores do Fluminense.

A ajuda de custo de R$ 50,00, que era paga aos jogadores do infantil, ele guardava para comprar fotos suas em ação e juntava o pouso que restava para comprar chuteira. A carreira no Fluminense durou até o final de 2003, quando foi negociado para o F.C.Porto, de Portugal. Em 1999, Carlos Alberto via mais um sonho sendo concretizado: foi convocado para disputar um torneio na Austrália, pela Seleção Brasileira sub-15. Só que mais uma vez o destino pregava-lhe uma peça. Carlos Alberto sentia fortes dores nas costas, mal podia caminhar e acabou sendo cortado da delegação. Foi nesta época que ele provou que usaria sua habilidade não só para driblar os adversários, mas para enfrentar as dificuldades da vida.

Superado o problema físico, Carlos Alberto chegou ao time profissional do Fluminense, entortou muitos adversários com seus dribles rápidos e tornou-se um dos principais jogadores do Tricolor. Em sua estréia, marcou logo um gol sobre o arqui-rival, Flamengo, em pleno Maracanã. O sucesso havia chegado e, finalmente, o sonho da Seleção também. Ele acumulou inúmeras convocações para as Seleções sub-17 e sub-18. Foi vice-campeão Sul-Americano pela sub-20, pela qual também foi campeão do Torneio da Malásia e finalista da Copa Ouro sub-23. "Agora só falta a principal", costuma dizer.

A profecia de seu pai, de que ele conquistaria o mundo ainda jovem, aconteceu em 2004. Contratado pelo F.C. Porto, uma das principais equipes da Europa, Carlos Alberto já começou fazendo das suas. Logo na estréia, foi exaltado pela imprensa portuguesa como o destaque da vitória de 2 a 1, sobre o  Manchester United, na primeira partida das quartas-de-final da Liga dos Campeões. No jogo seguinte, sua estréia como titular, marcou dois gols na vitória por 4 a 0, contra o Vilafranquense, pela Taça de Portugal, e passou a ser o xodó da torcida portista, que fez um coro em sua homenagem - "Carlos Alberto, olê! Quero sambar com você!" - entoado em todos os jogos do clube.

Em um ano de clube e apenas 19 de idade, Carlos Alberto ganhou não só o apelido de Feijão (por sua paixão pela comida tipicamente brasileira), mas os títulos do Campeonato Português, da Supertaça de Portugal, da Liga dos Campeões da Europa, além do Mundial Interclubes, um fenômeno para quem fazia sua primeira temporada internacional. O momento mais marcante foi o gol que abriu o placar de 3 a 0, sobre o Mônaco, na final da Liga dos Campeões.

"Todo jogador sonha em jogar pela Liga e foi maravilhoso marcar um gol na final e ajudar o Porto a ser campeão. Com certeza um momento inesquecível e o mais marcante da minha carreira na Europa", disse.

Acostumado a grandes desafios, no início de 2005 surgiu a oportunidade de voltar ao Brasil e ser observado de perto pelo técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira. Mas a volta ao país não seria por um clube qualquer, mas por um dos mais populares do país: o Corinthians. A MSI, parceira do Timão, viu o brilho de Carlos Alberto na Europa e resolveu repatriá-lo como um dos principais reforços para a montagem de um super time.

"Estou muito feliz. Sinto-me em casa no Corinthians. Fui muito bem recebido pela torcida e tenho grandes amigos no time. Tenho certeza de que ficarei por muitos anos no Parque São Jorge e vamos conquistar vários títulos", frisou.

A passagem pelo Corinthians foi marcada pelo desafio de se tornar peça importante da equipe que tem uma das maiores torcidas do Brasil. O título brasileiro, ao fim do ano, teve participação decisiva de Carlos Alberto, que foi um dos principais destaques nos jogos finais.

“Em 2007, Carlos Alberto voltaria ao Fluminense, clube que o revelou para inscrever seu nome de vez na história do Tricolor. Capitão e jogador de mais destaque da equipe, ele ajudou o Fluminense a conquistar o inédito título da Copa do Brasil, credenciando o clube a disputar a tão sonhada Taça Libertadores da América. Ao lado dos amigos e das pessoas que o viram crescer dentro e fora de campo, Carlos Alberto estava feliz no clube. Mas seus direitos federativos estavam ligados à MSI e a empresa optou por vendê-lo para o Werder Bremen, um dos maiores clubes da Alemanha. “Gostaria muito de ficar e disputar a Libertadores, mas a proposta foi boa não só para mim, mas para os investidores, que têm participação nos meus direitos, e para o Fluminense. Espero voltar um dia”, disse.

No segundo semestre, Carlos Alberto foi para a Alemanha como a negociação mais cara da história do Werder Bremen. A vontade de vencer e se destacar novamente na Europa eram o combustível de Carlos Alberto. Mas como não participou da pré-temporada junto com a equipe, ele acabou sofrendo algumas lesões e não conseguiu ter uma boa seqüência de jogos. Outro fator que prejudicou seu desempenho em solo alemão foi a insônia. Problema comum na maioria da população mundial, a insônia pode ser um problema sério quando atinge atletas de alta performance. Foi o que aconteceu a Carlos Alberto. Como não conseguia dormir à noite, ele não conseguia treinar normalmente no dia seguinte e demorava para se recuperar fisicamente. Os dirigentes do Werder entenderam seu problema e ficaram ao seu lado para apóia-lo. Foi então que surgiu o contato com o São Paulo. Primeiro, a idéia era utilizar o Reffis, o centro de fisioterapia e reabilitação do clube, para fazer um trabalho especial. Mas logo o contato evoluiu para uma proposta de empréstimo.

O período no São Paulo foi curto, mas muito proveitoso. Carlos Alberto sempre elogia muito a estrutura que encontrou e as pessoas que o ajudaram. Foi no São Paulo que foi detectado um problema na tireóide, que causava um desequilibrio hormonal. Isso fazia com que seu corpo não reagisse da maneira ideal e ele não conseguisse desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível. 

Com o tratamento realizado, ele pode voltar a jogar bem e desenvolver todo o seu talento.  

Depois de uma breve passagem pelo São Paulo, Carlos Alberto decidiu que permaneceria no Brasil para voltar a brilhar em seu país. Propostas não faltaram. Mas ele se sensibilizou pelo projeto do Botafogo e resolveu aceitar. Como o clube estava carente de títulos nos últimos anos, seus objetivos foram de encontro com os do Fogão e a promessa foi de um casamento duradouro. Carlos Alberto teve boas atuações e ajudou o Botafogo a fazer boa campanha no Campeonato Brasileiro, lutando por uma vaga na Taça Libertadores da América até a parte final da competição. Mas fatores extracampo, como o atraso de salários e pagamento de direitos trabalhistas  fizeram com que essa história fosse interrompida precocemente.


A CRUZ DE MALTA É O MEU PENDÃO

Com a saída do Botafogo, Carlos Alberto conseguiu negociar com o Werder Bremen mais seis meses de permanência no Brasil. Seu objetivo? O de sempre, conquistar títulos. E o clube escolhido foi o Vasco da Gama. A idéia dos dirigentes é torná-lo um líder para se tornar um ídolo do clube no ano em que o Vasco está se reorganizando para voltar aos anos de glória.

Em pouco tempo, Carlos Alberto se tornou referência dentro do clube, capitão do time e um dos principais jogadores na campanha do Campeonato Carioca e Brasileiro.  A identificação foi tanta, que ele conseguiu convencer os alemães a mante-lo no Vasco por mais um ano. As dificuldades foram muitas, mas com seus companheiros, Carlos Alberto conseguiu superá-las e atingiu os dois objetivos traçados no início do ano: a volta à Primeira DIvisão e a conquista do título. Totalmente identificado com o clube e feliz com as conquistas, ele não teve dúvida em afirmar que nasceu em 2009 um caso de amor entre Vasco e Carlos Alberto.

 

O resto dessa história você está convidado a acompanhar diariamente.